[Resenha] Belgravia, Julian Fellowes

Título: Belgravia
Autor: Julian Fellowes
Editora: Intrínseca (cortesia)
Páginas: 430
Onde comprar: Saraiva | Submarino

Belgravia é um romance histórico um pouco diferente do que estamos encontrando atualmente. Nessa obra o foco principal está nas intrigas e na descoberta de um segredo que mudará completamente a vida de muitas pessoas. O livro é divido em duas partes, o ano de 1815, às vésperas da Batalha de Waterloo, e o ano de 1840, quando Belgravia já estava construída.

O ano é 1815 e as regras tão rígidas à época ficaram um pouco de lado para que jovens pudessem aproveitar o momento antes de partir para a batalha. É isso que acontece com Sophia Trenchard e Edmund Bellasis. São dois jovens que estão extremamente apaixonados e não conseguem esconder isso. É por conta dessa paixão, que Sophia e seus pais, James e Anne, são convidados para o baile da duquesa de Richmond, tia de Lorde Bellasis. Os convidados estão se divertindo, mas Napoleão escolheu aquele momento para estourar a batalha. Mortes acontecem e a perda de pessoas queridas é inevitável.

“Ela estava naquele período da vida pelo qual quase todo mundo deve passar, quando a infância terminou e uma maturidade falsa, sem os impedimentos da experiência, dá à pessoa a sensação de que tudo é possível, até que a chegada da idade adulta prova que definitivamente não é.”

Agora, o ano é 1840 e o cenário passa a ser Belgravia, uma cidade que foi desenvolvida com muito luxo para abrigar membros ricos da sociedade londrina. Se passaram 25 anos desde a famosa batalha de Waterloo, mas, até hoje, as pessoas que estavam naquele famoso baile são questionadas de acontecimentos e guardam segredos e feridas em seu âmago.

A vida das famílias Bellasis e Trenchard mudou completamente. Agora, 25 anos depois da batalha, muitos segredos – que muitos não imaginavam – começam a vir à tona e intrigas são formadas.

É apenas isso que posso dizer da história, pois, qualquer outra informação, revelaria demais e faria a história deixar de ser instigante. A primeira coisa que me agradou nessa obra foi a escrita do Julian Fellowes, ainda não conhecia seu trabalho (sim, vivo debaixo de uma pedra) e fiquei encantada com o que li. O contexto histórico de Belgravia é incrível e as descrições que o autor fez, me fizeram sentir naquela época vivendo com aqueles personagens.

A narrativa ocorre em terceira pessoa e isso foi essencial para que o leitor pudesse acompanhar todos os núcleos de personagens sem ficar perdido. Temos desde os acontecimentos com membros de ricas famílias até o que os empregados conversam enquanto seus patrões estão dormindo ou em um baile.

O segredo nos é apresentando no começo da leitura e permite que acompanhemos o que as pessoas interessadas fazem para tentar descobrir. Desde suborno até roubo de itens, os personagens fantasiam sobre as mais diferentes possibilidades e isso, de certa forma, é engraçado, pois quase ninguém chega perto da verdade.

Com relação aos personagens, existe um, em particular, que me incomodou muito, pois ele se mostrou bastante machista e o sabe tudo. Todas as vezes que ele aparecia, eu sentia vontade de sacar uma arma e mata-lo. Apesar disso, é notável que a construção dele foi muito bem-feita, como todos os outros personagens.

Além das intrigas também temos, em segundo plano, a presença de um romance proibido, mas não vou dizer entre quais personagens, para que vocês descubram quando ler.

“(...) eu enfrentaria dragões, andaria sobre carvão em brasa, entraria no Vale da Morte, se achasse que teria alguma chance de conquistar seu coração.”

Em suma, Belgravia é um livro com uma edição linda, bem revisado e com uma história que me agradou em todos os sentidos e que foi impossível largar, pois a necessidade de saber que rumo tudo tornaria me deixou extremamente ansiosa. Recomendo a leitura de olhos fechados.


Gostaria de deixar meu especial agradecimento à Editora Intrínseca por ter me convidado para participar dessa ação e ter me dado a oportunidade de ter lido essa incrível obra.


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